A aprovação da reforma tributária do consumo inaugurou um novo capítulo para empresas, empresários, grupos familiares e investidores no Brasil. IBS e CBS deixam de ser siglas distantes para se tornar peças centrais na formação de preços, no fluxo de caixa e até na proteção do patrimônio. A partir de 2026, começa a fase prática dessa transição, com impactos diretos na rotina fiscal e jurídica dos negócios.
Mais do que entender qual imposto entra e qual sai, o desafio é se antecipar e adaptar estruturas societárias, contratuais e patrimoniais. Ao longo deste artigo sobre IBS e CBS: O Que Esperar da Nova Tributação a Partir de 2026 e Como se Preparar Agora, explicamos em linguagem acessível o que muda, quais riscos merecem atenção e como se preparar de forma preventiva.
Reforma tributária do consumo: por que 2026 muda o jogo para empresas e investidores
O que a reforma tributária realmente muda na prática
A reforma tributária do consumo simplifica a cobrança de tributos sobre bens e serviços ao substituir cinco tributos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos pilares: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além do Imposto Seletivo para setores específicos. Em termos técnicos, o sistema passa a funcionar como um IVA dual, com um tributo federal e outro subnacional.
De acordo com materiais oficiais, como a página do Senado Federal sobre a reforma tributária do consumo, o objetivo é reduzir a complexidade, tornar a tributação mais neutra e diminuir distorções na tomada de decisão econômica.
Linha do tempo: do “ano-teste” de 2026 à transição completa nos anos seguintes
A transição é gradual, mas começa de forma concreta em 2026, com a cobrança em alíquotas-teste de IBS e CBS em percentuais reduzidos e compensação com PIS/Cofins. A partir de 2027, o novo sistema ganha peso, e a migração de ICMS e ISS para o IBS se estende até 2033, período em que empresas terão de conviver com o sistema antigo e o novo em paralelo.
Isso significa que 2026 não é apenas um marco simbólico, mas o início de um período em que decisões de investimento, contratos de longo prazo e estratégias de preços precisarão considerar simultaneamente a lógica atual e a lógica da nova tributação sobre consumo.
Quem precisa prestar mais atenção: empresas, grupos familiares e investidores
Todas as atividades econômicas serão impactadas, da indústria ao setor de serviços. No entanto, o alerta é especialmente relevante para empresas com cadeias complexas de fornecimento, grupos familiares com estruturas societárias múltiplas e investidores que atuam em segmentos com alta carga tributária indireta.
Para esse público, compreender desde já IBS e CBS: O Que Esperar da Nova Tributação a Partir de 2026 e Como se Preparar Agora é fundamental para evitar decisões precipitadas, reduzir riscos fiscais e preservar valor no longo prazo.
IBS e CBS em linguagem simples: o que são, como funcionam e o que substituem
O que é a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e quais tributos ela substitui
A CBS é um tributo federal sobre o consumo, de competência da União, que vai substituir o PIS e a Cofins (e, em conjunto com o Imposto Seletivo, também permite a extinção gradual do IPI). Sua incidência é ampla sobre operações com bens e serviços, com base não cumulativa: o contribuinte apura débitos nas saídas e créditos nas entradas, calculando o imposto devido sobre o valor agregado.
A CBS traz regras mais uniformes e reduz a fragmentação normativa que hoje gera insegurança jurídica, disputas interpretativas e elevado contencioso tributário.
O que é o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e por que ele é chamado de “IVA subnacional”
O IBS é um imposto de competência compartilhada por Estados, Distrito Federal e Municípios, destinado a substituir o ICMS e o ISS. Sua gestão será feita por um Comitê Gestor interfederativo, com alíquotas uniformes e incidência no destino da operação, ou seja, no local de consumo do bem ou serviço.
Ele é chamado de “IVA subnacional” porque reproduz a lógica de imposto sobre valor agregado, mas no âmbito dos entes federados. A ideia é harmonizar regras hoje extremamente fragmentadas, que variam de estado para estado e de município para município.
Diferenças entre IBS e CBS: competência, incidência e forma de cobrança
Em resumo, a CBS é um tributo federal que substitui PIS/Cofins, sob responsabilidade da Receita Federal, enquanto o IBS é um tributo subnacional que substitui ICMS/ISS, sob gestão do Comitê Gestor. Ambos são não cumulativos, mas com legislações e alíquotas distintas.
Compreender essas diferenças é essencial para identificar onde o impacto será maior em cada tipo de operação e como isso dialoga com o regime tributário da empresa (Simples Nacional, lucro presumido ou lucro real).
A lógica de crédito e débito no novo modelo de tributação sobre o consumo
IBS e CBS adotam a lógica crédito/débito: o imposto pago em etapas anteriores gera créditos que podem ser abatidos do imposto devido nas etapas seguintes da cadeia. Essa sistemática exige controles mais rigorosos de documentos fiscais, classificação de operações e parametrização de sistemas, sob pena de glosa de créditos e autuações.
Materiais como a apresentação oficial do Ministério da Fazenda sobre a reforma tributária ajudam a visualizar como essa lógica será aplicada na prática e quais setores podem ter mais ou menos créditos disponíveis.
Principais impactos da IBS e da CBS no dia a dia das empresas
Formação de preços, fluxo de caixa e repasse de custos ao consumidor
Com a nova tributação, a carga passa a ser mais visível e concentrada em menos tributos, mas a forma de cálculo muda. Empresas precisarão revisar políticas de precificação, margens e cláusulas de reajuste para evitar perda de competitividade ou repasse inadequado de custos ao consumidor final.
Esse movimento exige simulações, comparações entre cenários e avaliação de sensibilidade para entender como variações de alíquotas de IBS e CBS afetam o resultado operacional.
Créditos de IBS/CBS e investimentos em bens de capital: riscos e oportunidades
A sistemática de créditos abre espaço para um planejamento mais eficiente na aquisição de insumos, serviços e bens de capital. Por outro lado, erros na classificação fiscal, na escrituração ou na emissão de documentos podem levar à perda de créditos relevantes e distorcer o fluxo de caixa.
Investimentos em sistemas, automação fiscal e governança de documentos ganham protagonismo, especialmente em empresas com grande volume de operações ou múltiplas filiais.
Impactos em contratos, cadeias de fornecimento e negociação com parceiros
Contratos de longo prazo, operações entre partes relacionadas e contratos de fornecimento com cláusulas de preço fixo ou fórmulas de reajuste precisam ser revisados à luz da nova tributação. A ausência de cláusulas claras sobre IBS/CBS pode gerar disputas e desequilíbrio econômico entre as partes.
Ao mesmo tempo, cadeias de fornecimento poderão ser reorganizadas para aproveitar melhor créditos, reduzir custos logísticos e harmonizar alíquotas entre estados.
O que muda para empresas do Simples Nacional, lucro presumido e lucro real
Embora o Simples Nacional seja mantido, a interação com IBS e CBS exigirá atenção especial em algumas situações, como substituição tributária, regimes específicos e operações interestaduais. Empresas no lucro presumido e no lucro real, por sua vez, terão de reavaliar se o regime atual segue sendo o mais vantajoso diante da nova carga sobre consumo e dos créditos disponíveis.
Esse é um momento estratégico para cruzar informações contábeis, fiscais e financeiras e repensar a estrutura tributária da empresa como um todo.
Riscos tributários e de compliance na transição para o novo sistema
Novas obrigações acessórias: notas fiscais com IBS/CBS, códigos e campos específicos
A implementação de IBS e CBS exige atualização de NF-e, NFC-e e demais documentos fiscais, com novos campos e regras de validação. Os testes em ambiente de produção já começaram, e a exigência plena se intensifica a partir de 2026, com o chamado “ano-teste”.
Empresas que não adequarem seus sistemas a tempo correm risco de ter documentos rejeitados, operações paralisadas ou informações declaradas de forma inconsistente.
O perigo invisível de “não preencher direito”: autuações, glosa de créditos e litígios
A reforma não elimina o risco fiscal; apenas modifica sua configuração. Informações incorretas sobre IBS/CBS em notas fiscais, declarações e livros digitais podem resultar em glosa de créditos, autuações e discussões administrativas e judiciais.
Por isso, governança tributária, revisões periódicas e auditorias internas passam a ser diferenciais competitivos, não apenas custos adicionais.
Governança tributária: responsabilidade de administradores, conselheiros e gestores
Administradores, diretores financeiros, conselheiros e gestores de grupos familiares respondem por decisões que podem afetar o caixa da empresa e o próprio patrimônio pessoal. A falta de controles, políticas internas e acompanhamento jurídico adequado pode ser interpretada como negligência na gestão de riscos tributários.
Em empresas familiares, esse aspecto ganha ainda mais peso, pois decisões mal planejadas podem comprometer o legado construído ao longo de gerações.
Como a falta de preparação pode afetar patrimônio empresarial e pessoal
Erros de enquadramento, autuações de alto valor, restrições de crédito e perda de reputação corporativa têm impacto direto na preservação do patrimônio. Para famílias empresárias e investidores, a linha entre o patrimônio da empresa e o patrimônio pessoal precisa estar muito bem estruturada.
O tema é aprofundado no artigo da Malvese Advogados Associados sobre proteção patrimonial e construção de segurança jurídica para o patrimônio, que mostra como uma abordagem preventiva pode reduzir significativamente esses riscos.
Como se preparar desde já: passos práticos para empresários e investidores
Diagnóstico fiscal: mapear operações, regimes e benefícios que serão afetados
O primeiro passo é um diagnóstico detalhado: quais tributos incidem hoje sobre cada operação? Que benefícios, incentivos e regimes especiais são utilizados? Como a migração para IBS e CBS impacta essas estruturas?
Esse mapeamento orienta decisões sobre ajustes contratuais, societários e operacionais, e permite priorizar áreas com maior risco ou potencial de economia lícita.
Adequação de sistemas, ERPs e automação fiscal à nova realidade
É indispensável envolver desde cedo equipes de TI, contabilidade e fiscal para parametrizar ERPs, sistemas de faturamento e soluções de automação fiscal. A reformulação não é apenas de “campos na nota”, mas de toda a lógica de apuração e escrituração.
Empresas que atuarem de forma proativa tendem a reduzir retrabalho, evitar inconsistências e ganhar agilidade na tomada de decisão.
Revisão de contratos comerciais, societários e imobiliários à luz da nova tributação
Contratos de fornecimento, distribuição, franquia, locação e contratos societários devem ser revisitados para contemplar a nova tributação. Cláusulas de preço, repasse de tributos e reequilíbrio econômico-financeiro ganham relevância especial nesse contexto.
A revisão contratual orientada por um olhar jurídico-tributário reduz conflitos futuros e ajuda a manter o equilíbrio entre as partes envolvidas.
Planejamento de caixa, estoques e investimentos para 2026 e anos seguintes
A fase de convivência entre o sistema antigo e o novo pode gerar picos de desembolso e diferenças temporárias de caixa. Planejamento financeiro conservador, revisão de estoques e avaliação do melhor momento para investimentos em bens de capital se tornam medidas prudenciais.
Essa organização contribui para que a empresa tenha fôlego para se adaptar às mudanças sem comprometer sua operação cotidiana.
Educação tributária da equipe: financeiro, faturamento, jurídico e contabilidade alinhados
Nenhuma estratégia funciona se as equipes não entenderem o que está acontecendo. Treinamentos, materiais internos e acompanhamento próximo do jurídico tributário ajudam a alinhar financeiro, faturamento, controladoria, contabilidade e governança.
Quando todos compreendem IBS e CBS: O Que Esperar da Nova Tributação a Partir de 2026 e Como se Preparar Agora, as chances de erro diminuem e a empresa ganha agilidade na implementação de ajustes.
Planejamento jurídico-tributário estratégico: protegendo negócios e patrimônio na era IBS/CBS
Quando é indispensável buscar apoio jurídico-tributário especializado na reforma
Empresas com operações interestaduais, grupos econômicos, holdings, empresas familiares estruturadas e investidores com ativos relevantes dificilmente conseguirão atravessar essa transição apenas com ajustes pontuais. Nesses casos, o apoio de um escritório especializado em Direito Empresarial, Tributário e Patrimonial é fundamental para desenhar estratégias sob medida.
O acompanhamento profissional também ajuda a acompanhar a regulamentação infralegal, que tende a ser intensa nos primeiros anos de implementação da reforma.
Alinhando planejamento tributário com planejamento patrimonial e sucessório
A nova tributação não pode ser analisada isoladamente. Planejamento tributário precisa dialogar com planejamento patrimonial e sucessório, sobretudo em empresas familiares. O blog da Malvese aborda o tema em artigos como o de empresas familiares e sucessão patrimonial, mostrando como decisões societárias e sucessórias impactam diretamente a continuidade do negócio.
Quando tributação, patrimônio e sucessão são pensados de forma integrada, o resultado é maior segurança jurídica e previsibilidade para todas as gerações envolvidas.
Estratégias preventivas para reduzir riscos e aproveitar oportunidades da nova tributação
Estruturas societárias bem desenhadas, segregação de riscos, revisão de contratos e uso responsável de benefícios fiscais podem transformar a reforma de ameaça em oportunidade. O foco deixa de ser apenas pagar menos imposto e passa a ser pagar corretamente, com segurança jurídica, preservando margem e patrimônio.
Essa abordagem preventiva é especialmente relevante para famílias de alta renda, empresários e investidores que desejam proteger seu legado em um cenário tributário em transformação.
Próximos passos: o que fazer ainda em 2025 e no “ano-teste” de 2026 para não ser pego de surpresa
Até o início efetivo da cobrança-teste, é recomendável concluir o diagnóstico tributário, adequar sistemas e treinar equipes, revisar contratos principais e alinhar a estratégia tributária com a estratégia patrimonial. Durante 2026, o monitoramento próximo de normas infralegais, ajustes de sistema e eventuais litígios será determinante para entrar em 2027 e anos seguintes com estruturas sólidas.
Empresas e grupos familiares que se organizarem desde já para IBS e CBS: O Que Esperar da Nova Tributação a Partir de 2026 e Como se Preparar Agora tendem a atravessar a transição com mais previsibilidade, menos conflitos e maior segurança jurídica.
Conclusão: por que contar com o Malvese Advogados Associados nesse cenário
A nova tributação sobre o consumo, com IBS e CBS, não é apenas uma mudança técnica. Ela redefine a forma como empresas formam preços, organizam suas cadeias de valor, estruturam contratos e protegem seu patrimônio. Quem se antecipa reduz riscos fiscais, evita litígios desnecessários e fortalece a própria reputação no mercado.
Se a sua empresa, grupo familiar ou estrutura de investimentos precisa se preparar para a reforma tributária com segurança jurídica, o Malvese Advogados Associados está pronto para apoiar em todas as etapas – do diagnóstico tributário à revisão contratual, passando pelo alinhamento entre planejamento empresarial, patrimonial e sucessório.
Acesse o blog da Malvese Advogados Associados para conhecer outros conteúdos sobre proteção patrimonial, sucessão em empresas familiares e segurança jurídica empresarial. E, se você deseja uma análise personalizada do seu caso, entre em contato com a equipe do escritório para construir uma estratégia sob medida para o seu negócio e para o seu patrimônio.